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Amor cristão

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Fala-se em amor cotidianamente. Fala-se em amor em diversas formas, mas especificamente algo que sempre chama a atenção é o “amor cristão”. Mas alguém sabe como ele é realmente?

Existem vários tipos de amor, a saber: eros, filía, e a ágape. O eros é o amor carnal, o sexo, representa o sentimento de desejo pelo outro, por assim dizer. A filía é o amor fraternal, de amigo, de família. Esse é o sentimento que compartilhamos diariamente com todos que estão a nossa volta que fazem parte dos nossos diversos círculos de amizade e grupos urbanos. A ágape talvez seja a forma mais alta de amor, que seria uma amor altruísta. Aquele amor que você dá sem querer nada em troca. E por tamanha é essa expressão de amar, que a ágape tornou-se o amor divino. 

A ágape foi adotada pelos primeiros cristãos e ainda hoje é tida como a expressão máxima de amor pelo outro. Mas vamos analisar a frase mais emblemática da bíblia: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” Marcos 12:31. Segundo o evangelho de Marcos, esse é o segundo maior mandamento, atrás somente de amar a Deus…, mas não vamos entrar nesse aí. Fiquemos aqui com o segundo que nos interessa mais nesse momento. 
Segundo essa frase, deveríamos amar ao próximo, no caso, um amor altruísta, sem retorno, amar por ele ser um outro “eu” sem ligação direta. Explico, o que nos torna diferentes uns dos outros são nossas escolhas em seu conjunto. Toda pessoa poderia ser um outro “eu”. Somos todos um conjuntos de possibilidades, portanto amar o outro é como amar uma variante de si mesmo. E segundo Marcos, você ama o outro por, a princípio, amar a si mesmo. Não posso amar uma pessoa se não me amo. E esse amor, claro, é um amor puro, um gostar desinteressado de recompensa. É aquele sentimento que muitos de nós já tivemos algum dia de nossas vidas. 
Se devemos amar ao próximo, então porque odiar quem é diferente? A diferença nas escolhas nos tornam inferiores aos outros? Vamos abstrair aqui todas as concepções sociais de classes e vamos colocar todos no mesmo bolo: somos seres humanos com escolhas. Então, o que me faria inferior a outro? O fato de ter nascido negro, gay, com alguma doença genética, me faria uma pessoas pior? Menos merecedora de amor?
Voltando para a realidade, e vendo na sociedade todos esses mecanismos de manipulação, onde quem é de grupo “x” é melhor que “y. Esse discurso que separa as pessoas é usado nos mais diversos âmbitos sociais, inclusive nos lugares mais (teoricamente) improváveis: as religiões. Mude a sentença e fica assim: “x” será “salvo” enquanto “y” não será. Em específico, as religiões cristãs estão cheias de discursos sectários que visam separar as pessoas, ao invés de uni-las. Quantos aqui sofreram preconceitos por serem negras, por serem gays, por serem ateus, ou então por não serem da mesma igreja que determinada pessoa participa? Fica claro que muitas pessoas não só desconhecem a ágape que o evangelho pregava, como esqueceram que a única coisa que acaba com o ódio é o amor, e ele começa dentro de cada um de nós. 
– Hugo Jardel

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O Professor de Filosofia (formado pela UFPI) Hugo Jardel  e o Vinte e Dois da coluna Se é que você me entende, tentam trazer o bom hábito de leitura que muitos perderam ao entrar na Era Facebook com tirinhas e memes.


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