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Bandido bom é bandido morto…

… contanto que não seja da minha família!

Os comentários de Rachel Sheherazade mais uma vez dividiram a opinião comum. Só que não podemos nos aprofundar em comentários supérfluos como “bandido bom é bandido morto”. Quem diz isso é porque:
  1. Só tem isso a dizer 
  2. Não entende nada de problemas sociais.
A questão que o senso comum levanta é defender ou não defender um bandido, mas se engana quem pensa que a questão é essa! Antes de ser um fora da lei, o bandido tem família, tem sonhos, tem filhos (ou terá) e – muito antes de tudo isso – ele é um ser humano. Se você até aqui pensa que estou com pena de bandido, então esse texto é muito redondo para a sua cabeça quadrada! Vá ao Facebook e jorre toda a sua intelectualidade e ganhe seus “likes”. Aqui o momento é de reflexão! E para tanto vim munido de dados do governo para corroborar minha crença de que bandido é um problema… nosso!

“Direitos Humanos para humanos direitos!” 

Toda vez que se fala em “Direitos Humanos” a raiva da população toma de conta! Afinal, ninguém sabe o que são os Direitos Humanos! Quem tem sede por conhecer teria pesquisado a origem e o que motivou a criação do mesmo. Isso nos remete para a Idade Média e a criação do Direito Natural. Com a queda da Idade Média, caem seus valores, então os filósofos racionalistas do século 17 e 18 desenvolvem teorias contra o Estado de Natureza, pois ele geraria desastres! E ao mesmo tempo, fortaleceram a idade de um Estado que possa gerir as obrigações e privilégios de cada indivíduo. Tendo isso como base, foi após a Segunda Guerra Mundial que os EUA criaram a ONU e os chamados Direitos Humanos que assegurariam a todos os povos das nações envolvidas direito à liberdade entre os povos, igualdade entre homens e mulheres, direito as necessidades básicas de saúde, segurança, educação e cultura. Basicamente, tratar o homem com dignidade! E cada nação ficaria responsável por atingir metas. Quem assiste jornal ou lê sobre esses assuntos deve ter visto falar dessas metas que sempre são impostas pela ONU as nações que a integram. Quando uma pessoa se torna um bandido fica implícito a olhos mais aguçados que aquele indivíduo não teve as oportunidades necessárias para seguir uma vida correta. Automaticamente ao dizer isso, as pessoas começam a critica-la sem saber as condições em que viveu determinado indivíduo. E é para isso que outras pesquisas foram feitas!

Mais investimentos na educação geram menos violência

Isso deveria ser óbvio. Quanto maior o grau de escolaridade, menos riscos um indivíduo tem de entrar para o mundo da criminalidade. Contudo, não é só se matricular na escola que está tudo resolvido! O ensino tem que ser de qualidade! Quantos de vocês não ouviram falar mal de escolas públicas e bem de escolas particulares? Quem estuda em escola pública é “pobre ou vai virar marginal em breve”, ou “nunca vai passar no vestibular”. Fora isso, ainda existe uma base que só que não tem daria valor, que é uma base familiar! A família influencia diretamente no modo de vida do indivíduo. Quem tem problemas com uma família desestruturada sabe o quão desgastante é viver em tal ambiente, e para estudar fica mais difícil. Contrariando o pensamento comum de “quem quer, faz”, geralmente esse tipo de comentário emerge de pessoas em melhores condições de vida do que outras. Há exceções? Sempre há, sem dúvidas, mas como o nome mesmo sugere, são exceções, não são regra! No Brasil, para se ter uma ideia, o investimento em um preso é de R$ 3.312 por mês contra R$ 1.498 para um estudante universitário! Será isso moralmente aceitável? Um país que investe mais em presidiários do que em estudantes universitários? Segundo outros dados, 65% dos presos homens no Brasil não chegaram a finalizar o Ensino Fundamental! Então fica claro que “ter pena de bandido” poderia ser muito bem entendido como “ter pena de um ser humano”, afinal existem coisas que nos fogem às escolhas. Ninguém quis nascer preto, geralmente pobre, e que morasse em uma favela ou periferia de alguma cidade do nosso Brasil… E não é mero preconceito, isso é realidade! Geralmente os bandidos tem o estereótipo do negro ladrão, uma herança maldita dos portugueses que aqui vieram e colocaram sua visão europeia de mundo sobre todos nós e que ainda hoje vive!

Bandido bom é bandido morto! (Contanto que não seja da minha família!)
Dois pesos, duas medidas! Tentar olhar para todos os ângulos (ou os mais fáceis de serem observados) é um exercício ao cérebro! Nem todos querem olhar diferentes pontos de vista, e acham que a sua visão de mundo prevalece! O mundo é um conjunto de vários cálculos imprecisos, tanto que as ciências humanas não são chamadas de exatas! Se fosse fácil resolver os problemas da humanidade como uma cálculo de trigonometria, tudo estaria resolvido e não veríamos pessoas como a Rachel “Charizard” cuspindo ódio em pleno horário nobre da TV brasileira. A pessoa que é tida como marginal não nasceu marginal! Não tem como você olhar para uma criança e dizer “essa aqui será o maior genocida da história”. Se fosse possível, Hitler sequer teria passado dos 10 anos de idade! São as escolhas que nos fazem ser quem nós somos, e há escolhas que o mundo nos oferece que nem sempre são fáceis de lhe dar, e nós não somos máquinas: cada um sente e reage de uma forma a um determinado estimulo externo. Portanto, antes de julgar um bandido, é preciso olhar ele como outro ser humano, mesmo que você sinta raiva dele(a), mesmo que você tenha perdido um ente querido ou pessoa próxima. Assim como ele nunca lhe perguntou como você se sentiria, talvez a vida dele tenha sido tão ruim ou pior que a sua, e ninguém explicou a ele que a criminalidade é um excremento social, fruto do descaso do poder público e da própria sociedade que tampa o sol com a peneira e acha que todos somos iguais porque dividimos o mesmo sol todas as manhãs! O bandido que todos condenam poderia ser você!
Voltando ao Contrato Social de Thomas Hobbes, o Estado serve para que nós cidadãos deixemos de exercer a violência para que o Estado se use da violência de forma legitimada, ou seja, a Polícia é o nosso representante oficial para vigiar aqueles que não cumprem com certos acordos, muitas vezes tácitos, que o Estado tem conosco. Em contrapartida, o Estado tem por obrigação oferecer saúde, educação, segurança, principalmente segurança, mas isso não acontece a plenos pulmões. Aí vem a pergunta: de quem é a culpa? Temos aqui vários culpados, mas para simplificar irei apontar dois: o próprio Estado e a população. Ora, se o Estado não cumpre o seu papel, então nós devemos reformulá-lo! E isso é feito através da alternância de poder dentro do nosso sistema democrático. Isso mesmo! Através do voto! Se não há renovação no poder, então alguém está escolhendo pessoas desqualificadas para gerir o poder público, e adivinha quem? Isso mesmo, jovem padauã! Somos nós mesmos que alimentamos esse excremento social de dois em dois anos!

É mais fácil culpar o bandido por conta da proximidade que temos com esse problema, resultado de uma má gestão de Estado, do que culpar os gestores, pois a proximidade não é a mesma. E a nossa vida cotidiana nos influencia a não irmos atrás do que anda acontecendo dentro de nossas prefeituras, sedes de governo e no Palácio do Planalto! Aqui não quero impor a vocês como devem ver esse problema, mas que sirva como uma pequena bússola para que vocês possam ler e se informar mais. Não se deixem levar por sentimentos de ódio! Você não é melhor do que um bandido para o Estado só porque paga impostos! Saia da linha só um pouco, mesmo sendo um pai ou mãe exemplar, mesmo que seja professor(a), empresário(a) ou comerciante, e tente imaginar o que aconteceria!

– Tr3vas

Fontes:
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