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Distanciando-se das religiões…

…em busca de Deus para o bem viver

Por Hugo Jardel*. 
Nós temos o hábito de classificar tudo! Por sermos dotados de lógica, vemos padrões e estabelecemos conceitos, geralmente universais, para definir e compartilhar essa informação caso seja necessária. Aristóteles foi um filósofo que desenvolveu bastante a lógica como a conhecemos e expôs a forma lógica com que pensamos. 
Quando acreditamos deter uma verdade sobre algo, é inevitável que queiramos compartilhar essa ideia o máximo que pudermos. Quando discordamos da ideia defendida por alguém e que julgamos ser a errada, montamos um discurso para unir argumentos que demonstram, através da lógica e da razão, que o posicionamento de determinada pessoa ou grupo está equivocado.

Em tempos de homens-bomba, câncer e a quebra de algumas posições consolidadas que anos atrás muitos apostariam que não mudariam – como casamento gay, direito das mulheres aflorando, pesquisas com clonagem e células-tronco, etc -, muitos paradigmas das religiões ocidentais foram desmoronando. Não só por conta dos avanços sociais e científicos, mas também pelo sem número de escândalos envolvendo padres, bispos, pastores e pessoas ligadas a altos cargos em suas respectivas religiões.

Houve uma migração maior de pessoas que afirmam seu descontentamento com as religiões, mas não com Deus – que não teria nada a ver com as atrocidades que acontecem, nem com as contradições do discurso… Muitos saem de suas religiões por conta desses escândalos, ou por apenas não se sentirem satisfeitas com as ideias defendidas pelas igrejas acerca de certas condutas. É comum existirem gays cristãos, feministas cristãos, apesar de parecer contraditório, mas existem (cada um daria um bom texto específico). Também há aqueles que veem mais ódio do que amor nas igrejas, outros que se veem na situação de precisar de uma transfusão de sangue como único meio de salvar sua vida, mas a religião condena tal prática… Esses e muitos outros exemplos são bastante comuns, bastando conversamos um pouco com as pessoas para conhecermos esses exemplos na prática.

Okay! Vamos ao ponto em questão!

Para toda e qualquer noção que você tenha de Deus, essa noção é uma ideia. E essa ideia está dentro de um discurso. Quem domina o discurso é a Igreja, que é uma instituição religiosa ou instituição da fé. Cada religião ocidental tem seu livro sagrado. E para cada livro sagrado existe um discurso sobre o que é Deus e como chegar até ele, portanto, explicando qual é a ideia sobre Deus e como devemos pensa-lo.

Se você é cristão ou pratica algumas das três religiões ocidentais (ou suas derivadas), e discorda delas, você é um herege segundo a sua religião. Segundo você mesmo, você está sendo coerente! Entretanto, indivíduos não tem o poder de representar a ideia de Deus, pois ela é pessoal, e não faz parte de um grupo. Se há um grupo que comunga da mesma ideia, ela passa a ser religião. Portanto, aquele grupo passa a representar uma ideia de Deus e voltamos para a religião…

Quando vejo as pessoas se distanciando de suas religiões e se apegando a uma ideia de Deus, vejo uma atitude desesperada de preservar a fé, mesmo sendo incoerente segundo as religiões. Mas você poderia dizer: “Quem são eles para dizer como é Deus?”. E a resposta é: nada! Inclusive você! Quais provas você detém, que possa passar adiante, para afirmar que a sua ideia de Deus está certa sem apelar para o “eu vi”, “eu senti”, “eu sei”, “eu sonhei”, etc?

Na tentativa de se livrarem dos erros cometidos pelos “representantes de Deus na Terra”, muitas pessoas vagam por ideias plagiadas das suas religiões anteriores sem se darem conta disso, ou o fazem por não saberem formular uma ideia melhor.

No final, a pessoa percebe que Deus, de fato, é somente uma ideia, e que Deus não é nada mais do que isso. Essa ideia não lhe faz um ser humano melhor que os outros, não lhe faz bom por acreditar nessa ideia, nem lhe dá poderes para julgar as pessoas que não pensam como você, rotulando-as como inferiores.

Há tantos exemplos de boas pessoas; pessoas bem situadas moral e financeiramente que não creem em Deus, tanto quanto pessoas mesquinhas, assassinas, etc, que creem em Deus. Portanto, Deus, a sua ideia e o que representa, são desnecessários para viver.

Viver bem independe de crer em Deus, e essa ideia você deve ter daqui em diante.

Compartilhe essa ideia!

*Professor de Filosofia formado pela UFPI.

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Hugo e o Vinte e Dois da coluna Se é que você me entende, tentam trazer o bom hábito de leitura que muitos perderam ao entrar na Era Facebook com tirinhas e memes.

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