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Ensino religioso confessional é aprovado pelo STF

Mais uma derrota do Estado Laico

Vinte e sete de setembro, marquem essa data! A queda cada vez maior do Estado laico na maior instância jurídica do país, conhecida como Supremo Tribunal Federal (STF), denuncia que estamos muito distantes de ver uma luz no final desse túnel!

Durante a defesa do ensino religioso confessional nas escolas, o ministro Edson Fachin assim disse: “O princípio da laicidade não se confunde com laicismo”. Lembrei que já vi diversas vezes o pastor Silas Malafaia dizer a mesma asneira! Ora, laicismo significa a “postura separadora e crítica quanto à influência da religião na organização política, econômica e social nas sociedades contemporâneas”. Se o ministro do STF não sabe o que é laicismo, e anuncia a palavra com tom pejorativo, então percebe-se que não veremos tão cedo alguma medida racional (no sentido mais puro da palavra) sobre esse tema!

A influência de um ensino religioso proselitista, isto é, que faz apologia direta a uma determinada corrente religiosa não é algo recente, tampouco tem feito as pessoas melhores. Ora, o Exame Nacional do Ensino Médio de 2016 teve como proposta em sua redação o tema: “Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil”. O número de redações que zeraram foram de 84.236, sendo que quase 5 mil foram por ferir os direitos humanos. Mesmo parecendo inexpressivo, esse pequeno número mostra que ainda há muita intolerância no Brasil por motivação religiosa, que atinge todas as áreas da sociedade, tanto no que diz respeito a políticas afirmativas como a legalização do aborto – onde a Bancada evangélica faz pressão contrária a sua aprovação -, seja em temas como eutanásia, ou mesmo leis que desejam alterar a Constituição para que ela se adeque a bíblia! Sem falar que queriam aprovar a “cura gay”!

E falando em Bancada evangélica, os evangélicos tem crescido no país segundo o Instituto Brasileiro de Pesquisas e Estatísticas (IBGE). Em pesquisa feita no ano de 2010, 22% da população brasileira é evangélica. Não por coincidência (pois não acredito em coincidências), os casos de intolerância religiosa no Brasil vem crescendo, sendo que a maioria das vítimas são de religiões de matriz africana (candomblé, umbanda, etc). A parte cômica – para não dizer trágica – é que boa parte desses ataques acontecem por evangélicos, e pior, traficantes evangélicos! A piada já vem pronta, podem rir!

Além de supervalorizar a religião como tema nas escolas e na sociedade, o Estado brasileiro não fortalece na mesma intensidade a pesquisa científica. No ano que escrevo (2017), o programa “Ciência sem fronteiras” acaba pela alegação de “falta de verba”. Ainda nesse ano supracitado, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) teve um corte de 44% em seu orçamento que era de R$ 5 bilhões anuais! Se você achou muito, talvez não saiba que o governo federal gastou somente com auxílio moradia para juízes federais e outros a quantia de R$ 437 milhões!

Em uma sociedade que desvaloriza a ciência e a filosofia, supervaloriza a religião proselitista, só poderia existir cada vez mais intolerância e estupidez! Não me admiro ver tantas pessoas acreditarem e propagarem asneiras pseudocientíficas como terra plana, homeopatia, lei da atração, design inteligente (nova roupa para o velho e conhecido criacionismo) e teoria da terra nova (que afirma que a Terra tem apenas 5 mil anos e que os dinossauros nunca existiram). Se continuarmos nessa linha de pensamento, não tardara até que o Brasil realmente venha a ter a sua própria Idade Média. Só nos resta repudiar e agir, ou esperar acenderem as fogueiras!