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Intolerância Religiosa

Hoje é Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa! E como não poderia ser diferente, escreverei essas linhas. Mesmo tendo o ponto de partida de um ateu que sou, já fui católico, e convivo com pessoas de outras crenças, espero contemplar um pouco de todos por aqui.
Cada grupo tem suas queixas em relação a outros grupos, isso é natural na sociedade e ocorre frequentemente! Uns se sentem inferiorizados em relação aos outros e desejam ter os mesmo direitos. É sempre a mesma conversa engessada, mas no fundo o que vemos mesmo é uma disputa de preferências: “o que eu gosto é certo, e o que você gosta é errado!”. Mesmo maquiado, o discurso contra outros grupos religiosos é recorrente e chega a níveis absurdos, tais como ataques feitas pela Rede Globo em suas novelas contra a IURD por conta da audiência crescente da Record de Edir Macedo, ou o Pastor que chutou a imagem de “Nossa Senhora” por conta do feriado nacional em homenagem a mesma. Fora o preconceito dos dois grupos, tantos de católicos quanto de “protestantes” (entende-se protestantes como os pentecostais e neopentecostais no sentindo amplo da palavra) contra a religião espírita e contra as religiões afro, especialmente a Umbanda chamada pejorativamente de macumba (que é um instrumento musical, diga-se de passagem).

E no meio dessa briguinha toda pra ver quem está certo, ou que grupo detêm o melhor ponto de vista, existem os ateus! Sim, nós também somos vítimas de intolerância religiosa por não possuirmos nem religião, nem uma crença em um deus. Segundo pesquisa da revista VEJA em 2007, o brasileiro tem menos preconceito com homossexuais, negros e mulheres do que com ateus! Nós somos a escória das minorias!
Há preconceito por parte de todos, e entendam preconceito da forma correta, e não da pejorativa. Um falso conhecimento, ou conhecimento desprovido de pesquisa e uma profunda observação é um preconceito! E pegar pequenos exemplos e dizer que determinados grupo é daquela forma porque alguns agem daquela maneira se chama “generalização apressada”, uma falácia bem recorrente!
O que podemos pensar sobre isso tudo? Pelo bom senso que tenho, e que acredito ser compartilhado, o correto seria “cada um no seu quadrado”, porém com essa disputa de poder das religiões, e ficando cada dia mais evidente a sua entrada na política, nós ateus, ou livres pensadores, devemos combater essa prática o quanto antes! Não se trata aqui somente de preferências religiosas, trata-se do bem estar de uma população inteira! Se um grupo religioso está mais preocupado em atacar mulheres, negros, catequizar índios em pelo século XXI e persegue as pessoas por conta de sua sexualidade, é contra pesquisa em células tronco e o uso da camisinha, então estamos vendo um sinal claro de que certas religiões não deveriam estar no poder! Para que possamos respeitar o Estado Laico sem ferir a liberdades individuais, seria interessante que todas as religiões deixassem de colocar suas propagandas ideológicas na política, o que seria interessante se não fosse um problema dos grandes, afinal não poderíamos bani-los da disputa pelo poder, pois grupos religiosos também representam um determinado grupo de pessoas que pensam e concordam com certa forma de pensar. Até onde vai a política e começa a religião? Essa resposta não é fácil e merece nossa atenção, portanto para esse dia de combate à intolerância religiosa não vamos vê-lo apenas como um dia para darmos as mãos, mas temos que estar em alerta para os grupos que querem se sobrepor a outros! Aqui não há nada de religião, isso tudo se chama política!
– Hugo Jardel (Professor de Filosofia e um dos Quatro Cavaleiros do Jesus Bêbado)